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segunda-feira, 6 de maio de 2019

Parabéns e até breve!


No primeiro momento, quando recebemos a notícia que o #cbb2019 seria em Manaus, a nossa reação foi: “Nossa, longe! O que tem para fazer nessa cidade?”. O tempo passou e o grande dia chegou: #PartiuManaus! Grupo unido e animado para desbravar novos territórios e vivenciar novos costumes. Sem sombra de dúvidas foi uma das melhores experiências vividas por nós. No Amazonas tivemos oportunidade de conhecer tantas coisas diferentes e que serviram para notarmos o quanto nosso país é diverso e rico em aspectos naturais e culturais.
Além da parte cultural proporcionada pela cidade, foi uma ótima oportunidade de aprendizado com profissionais renomados do contexto nacional e internacional da biomecânica. Também foi muito bom conhecer e rever colegas de outros laboratórios espalhados pelo Brasil, e assim criar laços e reforçar os já existentes.
Gostaríamos de deixar registrado o agradecimento às comissões organizadora e científica do evento. Saibam que vocês conseguiram proporcionar um evento de altíssima qualidade! E isso para nós, membros do Laboratório de Biomecânica da UFMG, encarregados de organizar o #cbbh2021 gera uma responsabilidade de entregar um evento de qualidade semelhante. Mas, competitivos como somos, saibam que para nós a responsabilidade gera desafio, o desafio induz à motivação, e a motivação embasa o sucesso! Sendo assim, aguardamos vocês na capital mineira em 2021 com muito entusiasmo, com grandes profissionais da área e é claro que não poderá faltar muita moda de viola, queijo e cachaça! #PartiuBH, uai!

Gislaine,  Jessica e Júlio
BIOLAB - UFMG


sexta-feira, 19 de agosto de 2016

BIOMECÂNICA NOS JOGOS OLÍMPICOS | MOUNTAIN-BIKE CROSS-COUNTRY




Nos Jogos Olímpicos deste ano o mountain-bike (MTB) acontece nos próximos dias. Desde 1996 como parte dos jogos, o MTB é um dos esportes que mais ganha praticantes no Brasil. Nos jogos Rio2016 teremos três representantes: Raiza Goulão, Henrique Avancini e Rubens Donizete (o mais experiente em jogos olímpicos, que disputa sua terceira olimpíada consecutiva). O que assistiremos nos dias 20 (feminino) e 21 (masculino) é o cross-country olímpico, ou XCO. No XCO os atletas correm em um circuito (o da Rio2016 tem cerca de 4,85 km) sendo que os homens completarão 7 voltas e as mulheres 6 voltas. Diferente do ciclismo de estrada, os atletas do MTB não tem socorro mecânico, e se acontecer algum imprevisto, precisam se virar para chegar até o ponto de apoio.

As provas MTB serão pesadas e exigirão muito dos atletas. O trajeto escolhido para a Rio2016 tem tudo de melhor que o XCO pode oferecer. Como o XCO não pode ter mais do que 15% do trajeto do circuito em terreno plano, teremos trechos de fortes subidas e fortes descidas. Isso promete muita velocidade nas descidas e exigirá a melhor técnica dos atletas. Nas subidas, será a capacidade de produzir potência um dos determinantes. No nível olímpico, todos os competidores usarão o que há de melhor em termos de equipamentos, mas será a capacidade de produzir força rapidamente para retomadas e subidas, aliado a técnica de saltos e ultrapassagem de obstáculos o que poderá determinar os vencedores e as vencedoras.

A biomecânica tem um papel fundamental nisso. Ciclistas MTB possuem diferenças nos padrões de aplicação de força no pedal e de cinemática dos membros inferiores quando comparados com outros ciclistas de estrada. A maior amplitude de movimento do tornozelo observada durante a pedalada de atletas MTB parece garantir uma aplicação de força por mais tempo durante o ciclo de pedalada. Além disso, o ciclista MTB usa mais a “puxada” do pedal em subidas, assim como para buscar saltar obstáculos e diminuir o impacto nos trechos em que há pedras. Tudo isso combinado com uma grande capacidade de produzir potência. Logo, muita força muscular é exigida, e não somente nos membros inferiores. Por isso que cada vez mais os ciclistas MTB incluem rotinas de treino de força em seus treinamentos.

Quem leva a medalha de ouro? No masculino é tentador dizer que o favorito é Nino Shurter, o Suíço que ganhou quase todos os campeonatos mundiais e copas do mundo da UCI nos últimos anos. Mas é a França o país com mais tradição no XCO nos jogos olímpicos, tendo levado medalhas em todas os jogos até agora. O principal francês no páreo é Julien Absalon, frequentemente chamado de “o melhor de todos os tempos” e atual líder do ranking da UCI. Eles já duelaram forte antes e talvez na Rio2016 a disputa entre ouro e prata fique entre eles. Mas não podemos deixar de mencionar que o campeão mundial de estrada Peter Sagan veio a Rio2016 para competir no XCO. O Eslovaco que começou no ciclismo como atleta de MTB com vários títulos é conhecido por sua força e impressionante capacidade de produção de potência. Embora eu goste do Sagan, acho que ele não vem em condições de levar medalha. Henrique Avancini que obteve a 22ª posição no mundial deste ano, a melhor da história do Brasil no masculino, e que compete em casa, vem se preparando muito seriamente para a prova. Eu vou apostar em Avancini brigando pelo top 10, e que sabe, uma medalha. Estarei na torcida por ele.

Entre as mulheres, a dinamarquesa Annika Langvad que levou o campeonato mundial desse ano e várias etapas da copa do mundo é franca favorita. Jolanda Neff, da Suíça, que levou as copas do mundo de 2014 e 2015 e também compete no ciclismo de estrada, está sendo bastante cotada para vencer. Na Rio2016 ela já competiu, foi a 8ª colocada na prova de ciclismo de estrada. Então, considerando a temporada atual, fica fácil apostar em uma das duas para o ouro. E quem sabe nossa bicampeã nacional e 10ª colocada no ranking mundial não faz uma prova sensacional e belisca o pódio?

Então vamos ficar ligados, pois às 12:30h no sábado e domingo tem MTB na Rio2016.

Prof. Dr. Felipe Carpes
Presidente da Sociedade Brasileira de Biomecânica
Grupo de Pesquisa em Neuromecânica Aplicada
Universidade Federal do Pampa

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

BIOMECÂNICA NOS JOGOS OLÍMPICOS | CICLISMO DE ESTRADA

Os jogos olímpicos iniciarem com uma bela cerimônia de abertura e seguem encantando o mundo com recordes olímpicos decorrente do desempenho de atletas altamente preparados. Para o Brasil, é uma oportunidade única de poder assistir a uma modalidade esportiva com o qual o Brasil possui pouca afinidade. Por mais incrível que pareça, o ciclismo é um esporte no qual o Brasil possui limitada expressão, para ser generoso. Na América Latina, certamente a Colômbia é o maior berço de atletas de elite no ciclismo.
É comum pensarmos nas provas de estrada do ciclismo, em função de competições tradicionais como o Tour de France. No entanto, o ciclismo olímpico possui quatro modalidades: estrada, pista, mountain bike e BMX. As provas de estrada são as mais tradicionais, enquanto o mountain bike foi introduzido nos jogos de Atlanta (1996) e o BMX está debutando no Rio. Cada modalidade possui uma série de provas com características distintas. No caso das provas de estrada, a etapa de resistência envolveu um percurso de 254,6 km no qual os ciclistas largam juntos e aquele que chegasse primeiro ganharia a medalha de ouro. Já a prova de contrarrelógio envolveu um percurso de quase 60 km no qual cada atleta realizou a largada isoladamente e levou o ouro o ciclista que percorreu o percurso no menor tempo. Desta forma, na prova de contrarrelógio o ciclismo não pode se beneficiar da “carona” oferecida pela pedalada no “pelotão”.
Tive a feliz oportunidade de assistir in loco a largada e a chegada da prova de resistência do ciclismo de estrada (fotos abaixo).

Largada da prova de resistência do ciclismo de estrada
Chegada da prova de resistência do ciclismo de estrada



Esta prova, assim como a prova de resistência do ciclismo feminino ficaram marcadas pelas quedas (literalmente!) de líderes, como Vicenzo Níbali (para os homens) e da ciclista Annemiek van Vleuten. Muito foi comentado sobre a periculosidade do percurso, o qual envolvia descidas sinuosas realizadas em alta velocidade. Com isto, era esperado que alguns atletas pudessem ter dificuldades nesta parte do percurso. Ambas as provas contaram com muita emoção até o final, principalmente na prova feminina quando a ciclista Fernanda Oliveira obteve a melhor marca brasileira na história das olimpíadas com o 7° lugar a 40s da vencedora. Certamente o Brasil sai dos jogos com um resultado excelente para o ciclismo, visto o baixo investimento realizado neste esporte.
         
           Falando um pouco de ciência, o ciclismo é um esporte que envolve a ação coordenada cíclica de múltiplos músculos dos membros inferiores afim de gerar propulsão, e dos membros superiores e do tronco gerando a estabilidade necessária para que o ciclista consiga permanecer em uma posição fletida sobre a bicicleta por seis horas ou mais. A relação entre a produção de força e o elevado número de repetições (maior do que 90 por minuto na maior parte da prova) implica em uma combinação ótima das propriedades força-comprimento-velocidade dos músculos esqueléticos. Cada vez mais, a ciência vem contribuindo para se atingir melhores índices nestas provas. Esta aplicação dos conhecimentos da fisiologia muscular tem sido cada vez mais utilizada nos programas de treinamento com o intuito de ofertar estímulos efetivos para que os ciclistas possam melhorar o seu desempenho. Há ainda muitos aspectos do gesto mecânico do ciclismo que são passíveis de discussão na literatura e entre os técnicos e atletas de ciclismo. Esperamos que o resultado da Fernanda Oliveira auxilie no incentivo a este esporte altamente técnico e complexo no Brasil.

Dr. Rodrigo Bini
Escola de Educação Física do Exército
Membro do Grupo de Estudo e Pesquisa em Ciclismo

terça-feira, 16 de agosto de 2016

BIOMECÂNICA NOS JOGOS OLÍMPICOS | JUDÔ

       O judô, traduzido como “caminho suave”, foi criado no Japão por Jigoro Kano em 1882. Nos Jogos Olímpicos foi introduzido em Tóquio 1964 e, desde então, só esteve ausente em uma edição dos Jogos Olímpicos realizado na Cidade do México 1968. As técnicas utilizadas na luta de judô são divididas em técnicas de projeção, as quais podem ser de perna (Ashi-waza), braço (Te-waza), quadril (Koshi-waza) e sacrifício (Sutemi-waza), técnicas de imobilização (Ossae-waza), chaves articulares (Kansetsu-waza) e estrangulamentos (Shime-waza). Fazem parte dos Jogos Olímpicos sete categorias divididas pela massa corporal dos atletas, sendo: -60 kg (ligeiro), 60-66 kg (meio-leve), 66-73 kg (leve), 73-81 (meio-médio), 81-90 (médio), 90-100 (meio-pesado) e +100 kg (pesado) para o masculino; -48 kg (ligeiro), 48-52 kg (meio-leve), 52-57 (leve), 57-63 (meio-médio), 63-70 (médio), 70-78 (meio-pesado) e +78 kg (pesado) para o feminino. Atualmente, a duração da luta é de 4 min para o feminino e 5 min para o masculino. Existem três pontuações que definem a luta, sendo elas: yuko (um terço de um ponto), wazari (meio ponto) e ippon (ponto completo).
        O judô brasileiro tem tradição nos Jogos Olímpicos, com resultados históricos expressivos, como a primeira medalha de ouro com Aurélio Miguel (Seul 1988) e a primeira medalha de ouro feminina com Sarah Menezes (Londres 2012). No total, o judô brasileiro já rendeu 19 medalhas olímpicas, antes do Rio 2016. Baseado nesse retrospecto, esperava-se que uma Olimpíada em casa supera-se Londres 2012, onde o judô conquistou 4 medalhas (1 de ouro e três de bronze). No entanto, o favoritismo não estava totalmente ao nosso lado, pois apenas 3 atletas estavam entre os cinco primeiros do ranking mundial, sendo elas Sarah Menezes (5º lugar), Érica Miranda (4º lugar) e Mayra Aguiar (4º lugar). Mas o esporte também tem surpresas e a melhor delas chama-se Rafaela Silva. Nossa “peso leve” era apenas a 11º do ranking e chegou no lugar mais alto do pódio. Já Mayra é considerada um ícone no judô brasileiro e, embora todos esperassem um confronto na final com a arquirrival americana Kayla Harrison, ela superou a queda na semifinal e mostrou o seu verdadeiro judô conquistando a medalha de bronze. O terceiro lugar de Rafael Silva, nosso peso pesado, não pode ser considerado uma surpresa, embora os resultados recentes, principalmente devido a lesões, o tenham colocado apenas na 12º posição antes dos Jogos. Ele superou mais uma vez a derrota para Teddy Riner na semifinal e conquistou sua segunda medalha de bronze em Jogos Olímpicos. 
O sucesso nos esportes de combate, em especial o judô, depende da execução de técnicas em elevada velocidade e com grande eficiência, na maioria das vezes com alta exigência de potência. Assim, a correta análise biomecânica da execução técnica pode permitir ao treinador intervir adequadamente no processo de correção de sua execução, contribuindo para a melhoria do desempenho de seus atletas. Por exemplo, a eficiência mecânica de uma técnica de projeção com o apoio do quadril (Koshi-waza) pode ser modificada dependendo da estatura do oponente, devido às mudanças nos braços de alavanca e, consequentemente, do torque final. Esse pode ser um aspecto a ser considerado no momento de analisar os adversários e propor estratégias de melhora técnica, principalmente em casos onde o nível competitivo é tão semelhante, como nos Jogos Olímpicos. Além disso, avaliações biomecânicas de força/potência podem possibilitar tanto o acompanhamento do nível de treinamento quanto à prescrição de cargas adequadas ao treino da capacidade neuromuscular envolvida.

Profa. Dra. Daniele Detanico
Universidade Federal de Santa Catarina
Membro do Laboratório de Biomecânica

Faixa preta de judô 1º Dan 

domingo, 14 de agosto de 2016

BIOMECÂNICA NOS JOGOS OLÍMPICOS | ATLETISMO


O Atletismo é um esporte individual, considerado aquele em que melhor traduz os ideais olímpicos evidenciados por Barão de Coubertin: “citius, altius e fortius”, i.e., o mais rápido, o mais alto, o mais forte. Esta modalidade esteve presente desde a primeira edição dos jogos Olímpicos da era Moderna em Atenas, no ano 1896. A partir daí o Atletismo ganhou força e sua prática difundiu-se em todo o mundo nas décadas seguintes, sendo reforçada a partir de 1912, com a fundação da Federação Internacional de Atletismo (IAAF). As provas do Atletismo são dividas em três blocos principais: as corridas, os saltos e os lançamentos. Aparecem ainda a macha Atlética e as provas combinadas.
O Brasil certamente nunca foi uma potência do Atletismo mundial, mas já viveu anos melhores. São 14 medalhas para o país em todas as edições dos jogos, das quais quatro foram de ouro, três de prata e sete de bronze. Importante destacar a tradição do salto triplo brasileiro, com os saltadores como Ademar Ferreira da Silva (ouro e 1952 e 1958), Prudêncio (prata em 1968 e bronze em 1972) e João Carlos de Oliveira – João do Pulo – (bronze em 1976). Entre os corredores, destaca-se Joaquim Cruz, medalha de ouro nas olimpíadas de 1984 e prata em 1988. Além deste, Zequinha Barbosa nos 800 m e Robson Caetano medalharam em 1988. Este último, inclusive, é detentor do recorde brasileiro nos 100 m rasos (10s00) que perdura por 27 anos. Mais recentemente, tivemos as conquistas de medalhas de bronze e prata em 1996 e 2000, respectivamente, no revezamento 4 x 100m. A única e histórica conquista no Atletismo feminino foi o ouro de Maurem Magi no salto em distância, nas olimpíadas de Pequim, 2008.
Mas na Olimpíada do Rio 2016, haverá possibilidades de medalhas para Brasil no Atletismo? Pode-se dizer que sim, mas se resumem basicamente a duas atletas: Fabiana Murer, do salto com vara e Keila Costa, do salto em distância e triplo. Na equipe masculina, a maratona sempre revela algum destaque brasileiro, porém dificilmente haverá medalhas neste ano.
Já o cenário internacional é historicamente dominado pelos Estados Unidos, são mais de 700 medalhas na história. No entanto, a sensação mundial do momento é a equipe Jamaicana, com destaque é claro para os atletas da velocidade. Os jamaicanos vêm dominando tais provas nos naipes masculino e feminino. E a tradicional e glamorosa prova dos 100 m rasos, quem ficará com o ouro? Entre os homens, tem-se dois jamaicanos na disputa: obviamente, a lenda Usain Bolt e o jovem Yohan Blake. Porém, talvez o principal adversário para Bolt será o experiente americano Justin Gatlin, de 34 anos, que vem com sede de vitória. Bolt fará ainda mais história se vencer os 100 m rasos, será o primeiro a vencer três edições seguidas da prova. Porém, as últimas lesões preocupam o jamaicano, mas ninguém ousa duvidar da lenda das pistas. Nos 200 m rasos, outra especialidade de Bolt, o mesmo deverá confirmar a medalha de ouro.
Com o crescimento do olimpismo e a profissionalização no esporte nas últimas décadas, a preocupação com o desempenho dos atletas tornou-se uma necessidade entre treinadores. E como a Biomecânica contribuiu e contribui para melhorar o desempenho dos atletas? Umas das formas mais importantes é com a avaliação da técnica esportiva, principalmente em esportes individuais como o Atletismo, de caráter eminentemente técnico. Nos Jogos Olímpicos de 1968 Dick Fosbury venceu a prova do salto em altura ao projetar-se de costas, uma técnica inovadora para a época. Mais tarde, análises biomecânicas mostraram sua eficiência pelo fato do centro de gravidade passar por baixo do sarrafo no momento do salto. Atualmente, pequenos detalhes técnicos fazem a diferença entre o primeiro e último lugar em uma prova. Assim, análises cinemáticas permitem detalhar o gesto técnico do atleta, que não seria possível a olho nu. Tal análise possibilitará ao treinador intervenções para aperfeiçoar o gesto de modo a alcançar níveis mais elevados.
Tomando como exemplo as corridas, uma técnica consolidada resultará em um corredor mais rápido e mais eficiente. Dois parâmetros biomecânicos amplamente analisados são a amplitude e frequência das passadas, que são determinantes da velocidade de deslocamento. Um dos principais diferenciais de Usain Bolt é possuir grande amplitude de passada (em função do comprimento de seu membro inferior) e elevada frequência de passada (possibilitada pela sua elevada potência muscular). Análises da curva de velocidade, o que podemos considerar uma análise cinemática, evidenciam que o grande determinante de velocista Usain Bolt nos 100 m rasos é a menor desaceleração ao final da prova.
Desta forma, verifica-se que a Biomecânica é uma ferramenta indispensável para a avaliação da técnica no Atletismo, o que consequentemente implicará no desempenho. Certamente o conceito de avaliação biomecânica é algo bastante amplo. Com o avanço tecnológico verifica-se constantemente novas tecnologias que estão sendo utilizadas em Biomecânica do Esporte, colaborando para o progresso e modernização esportiva.   

Prof. Dr. Juliano Dal Pupo
Universidade Federal de Santa Catarina
Membro do Laboratório de Biomecânica



sábado, 13 de agosto de 2016

BIOMECÂNICA NOS JOGOS OLÍMPICOS | ESPORTES DE COMBATE


Na última segunda-feira o Brasil se encheu de lágrimas e orgulho com a vitória da judoca Rafaela Silva, primeira medalha de ouro brasileira nos Jogos do Rio 2016. O Brasil virou os olhos para o judô, descobrindo terminologias como ippon, wazari e yuko. O judô é a modalidade que trouxe o maior número de medalhas para o Brasil em Jogos Olímpicos! Mas, você sabia que além do judô existem outras quatro modalidades de esportes de combate olímpicas?

Os esportes de combate são representados nos Jogos Olímpicos pelas modalidades: luta olímpica, judô, boxe, taekwondo e esgrima. E a partir de 2020, em Tóquio, teremos a estréia do karate.

Conceitualmente podemos classificar os esportes de combate (EC) em percussão, domínio e misto. Os EC de percussão tem como principal objetivo o toque por ações como socos e / ou chutes, caso do boxe, taekwondo e karate; ou toque por implementos como, a esgrima. Nos EC de domínio, a principal ação é o agarre, com técnicas de projeção, imobilização e chaves, caso da luta olímpica e judô. Enquanto que os EC mistos utilizam técnicas de percussão e domínio, caso do mixed martial arts, que não é esporte olímpico.

Dentre as diversos fatores que podem afetar o rendimento esportivo, sem dúvida a compreensão da biomecânica é uma importante variável de estudo. Ao identificar o comportamento neuromuscular em técnicas específicas da modalidade, o atleta / técnico podem otimizar a melhor estratégia motora a ser utilizada. Uma melhor estratégia técnica e tática são diferenciais em situações competitivas.

Para EC de percussão, as variáveis de potência, velocidade e impacto são fundamentais para a aquisição de pontos na modalidade. A potência muscular se manifesta principalmente na aplicação de golpes. Algumas modalidades que tem por característica o semi contato otimizam a velocidade de golpes, enquanto que modalidades de contato necessitam de elevados valores de impacto.

Nos EC de domínio, sabemos que as principais variáveis associadas ao rendimento esportivo são potência e força, especialmente pela necessidade de técnicas de agarre. As técnicas de projeção requerem a combinação de força máxima e resistência de força para a manutenção da pegada e potência para o arranque. As técnicas de imobilização, chaves e estrangulamentos (técnicas utilizadas no judô) requerem elevadas demandas de força isométrica e dinâmica.

Dentro deste contexto, a biomecânica pode analisar o padrão de equilíbrio empregado ao executar as técnicas de percussão e domínio, para melhor estruturar a situação de luta; compreender a estruturação de estratégias motoras, como ocorre o recrutamento muscular, bem como a cinemática dos golpes empregados em situação de luta são indispensáveis para a organização da correção da técnica para garantir a efetividade do treinamento.

A prevenção de lesões pode ser estudada pela análise de diferentes técnicas de projeção em EC de domínio, bem como o impacto e velocidade de golpes em EC de percussão. Ou até mesmo a análise de impacto em diferentes tipos de tatames ou a efetividade na utilização de protetores.

Atualmente, muitos atletas utilizam cotidianamente a análise cinemática para correção técnica, com recursos simples como câmeras com filmagem de 60 ou 120 frames. No entanto, ainda precisamos de uma maior aproximação entre ciências do esporte e a prática cotidiana.

Oss!

Profa. MSc Keith Sato Urbinati
2 Dan Karate
Grupo de Estudos em Neuromecânica (GEN)
Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR)



sexta-feira, 12 de agosto de 2016

BIOMECÂNICA NOS JOGOS OLÍMPICOS | FUTEBOL, BIOMECÂNICA E LESÕES

O futebol é um dos primeiros esportes coletivos a estar inserido no programa Olímpico, fazendo a sua estreia em 1908 nas Olimpíadas de Londres. A partir de então o futebol como modalidade olímpica vem proporcionado grandes surpresas quando levamos em consideração o histórico de seleções medalhistas, principalmente porque nos Jogos Olímpicos existe uma idade limite no masculino (máximo de 23 anos, com exceção de três atletas) e isso faz com que seleções que não tem tanta representatividade na Copa do Mundo de Futebol, muitas vezes acabem conseguindo destaque nos Jogos. 
Nas Olimpíadas Rio 2016 podemos apontar quatros seleções que possuem certo favoritismo tanto no futebol masculino como no feminino. No masculino: Brasil (país-sede e que busca a primeira medalha olímpica de ouro), Portugal (atual vice-campeã sub-21 europeia), Alemanha (que possui um trabalho intenso nas categorias de base) e México (atual campeão olímpico). Já no futebol feminino: Brasil (país-sede e que busca a primeira medalha olímpica de ouro), Estados Unidos (sempre uma força no futebol feminino e tri campeã mundial), China (que vem investindo bastante no campeonato local e com isso tem mostrado uma evolução) e a Alemanha (duas vezes campeã mundial).
Quando pensamos na relação entre biomecânica e o futebol, rapidamente podemos pensar na contribuição que a biomecânica pode trazer na diminuição de índices de lesão. Normalmente são classificadas de acordo com o contato ou não com o adversário, sendo as lesões musculares (não contato) as mais comuns. Uma das estratégias (em conjunto com marcadores fisiológicos) a serem utilizadas pela Biomecânica para a prevenção e determinação de lesões musculares é a Termografia, capaz de identificar diferenças de temperaturas contralaterais, indicando se existem áreas com hiper ou hipotermia, auxiliando na identificação ou prevenção do problema.  Já lesões articulares, como por exemplo, a ruptura do ligamento cruzado anterior (LCA), lesão com tempo de afastamento alto, tem sido bastante investigadas e uma das estratégias de prevenção são as avaliações com sistemas de cinemetria e a identificação de, por exemplo, valgos dinâmicos um dos principais fatores de risco.
Outro ponto constantemente explorado são as avaliações de materiais utilizados (chuteiras principalmente) na prática esportiva. Aparentemente a configuração e formato de travas podem aumentar o risco de lesão, em especial em movimentos de rotação, por conta do aumento de atrito com o solo, causando entorses de joelho e tornozelo, e até mesmo a ruptura do LCA. Por meio da pressão plantar as  lesões podais também podem ser investigadas, como a fratura do quinto metatarso, uma das mais graves e de maior reincidência. Destacam-se as investigações que tem por objetivo identificar a influência de movimentos específicos em conjunto com a utilização de materiais específicos a fim de descrever a distribuição da pressão plantar e locais de risco de lesão.

Prof. Renato Azevedo
Programa de Pós-Graduação em Educação Física
Universidade Federal de Santa Maria
Grupo de Pesquisa em Neuromecânica Aplicada
Universidade Federal do Pampa


quinta-feira, 11 de agosto de 2016

BIOMECÂNICA NOS JOGOS OLÍMPICOS | FUTEBOL*

O Futebol Olímpico masculino é uma mistura de jogadores das categorias de base com atletas profissionais consagrados. Todos os espectadores esperam a qualidade de uma Copa do Mundo, mas muitas vezes assistimos jogos sem muita técnica. Como os atletas com idade inferior a vinte e três anos normalmente ainda não se destacaram nas principais equipes mundiais, muitas vezes as partidas apresentam surpresas interessantes. No caso brasileiro, o que vimos foi uma série de equívocos na preparação da seleção ao longo do ciclo olímpico, com uma preparação focada nas seleções de base e, no final, com a inclusão de atletas já consagrados. Há muito tempo que conclamo por uma preparação esportiva baseada na ciência para o nosso futebol, com envolvimento dos pesquisadores para auxiliar em questões biomecânicas, fisiológicas, nutricionais, psicológicas entre outras áreas. 
No caso da Biomecânica, já existem muitos trabalhos concluídos sobre aspectos físicos (distâncias percorridas, distâncias percorridas nas faixas de velocidade intensas, relação velocidade e aceleração), aspectos técnicos (padrões de movimento dos segmentos corporais durante a realização de chutes, saltos e cabeceios) e aspectos táticos (medidas de compactação da equipe e coordenação entre as equipes, determinação do sistema de jogo efetivo de cada equipe). Entretanto, ainda não conseguimos espaço adequado nas equipes nacionais para que essas variáveis sejam incluídas nos treinamentos e, principalmente, sejam fornecidas aos atletas ao longo das suas carreiras esportivas de modo a possibilitarem a melhora do seu rendimento, a diminuição das lesões e do tempo de recuperação das mesmas e da valorização dos jogadores durante as negociações de transferência ou renovação dos contratos. Isso acaba refletindo nos recentes resultados das nossas seleções em competições importantes e, com certeza, leva a um descrédito por parte do torcedor, da imprensa e do investidor. A crise que passa o futebol brasileiro não é técnica, é cultural, pois ainda temos dogmas embasando nossa preparação e a falsa tese de que o individual supera o coletivo. Mesmo assim, se tivermos humildade para os ajustes necessários na preparação da nossa equipe olímpica, podemos conquistar uma inédita medalha.
Já a seleção feminina não tem incentivo nenhum em nosso país e jogadoras como Marta e Formiga ainda carregam nosso time nas costas. Resta saber se elas, já com idade avançada, conseguirão aguentar a pressão e o desgaste cada vez maior das partidas femininas para levarem o Brasil ao tão sonhado título olímpico. Equipes como Estados Unidos e Alemanha levam vantagem significativa pelo trabalho científico que é executado com as atletas nas competições nacionais e com os investimentos realizados nas atletas. As jovens jogadoras brasileiras só tem uma alternativa: jogar no exterior, pois quase não existem competições de alto nível em nosso país. No caso feminino, inexistem pesquisas em Biomecânica que possam reverter o enorme desnível na preparação física das nossas atletas em comparação com as principais seleções do mundo.
Desta forma, a Biomecânica tem um papel importante na evolução do futebol brasileiro, seja divulgando claramente os conceitos que embasam essa ciência como força, potência, velocidade e aceleração, seja consolidando protocolos de investigação que possam contribuir com os atletas e treinadores no intuito de melhorar condições de treino e competições e ajudar o Brasil a voltar a ser protagonista no futebol mundial. Além disso, a utilização de softwares livres e do conhecimento adquirido por pesquisadores brasileiros são fundamentais para a construção de banco de dados de atletas e, através de técnicas de mineração de dados, reestruturar os treinamentos e as avaliações físicas, técnicas e táticas das nossas seleções.

Prof. Dr. Sérgio Augusto Cunha

Faculdade de Educação Física - UNICAMP


*Comentário do editor: 
Haverá duas matérias sobre futebol. Esta é a primeira.

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

BIOMECÂNICA NOS JOGOS OLÍMPICOS | REMO


O remo é um esporte em que o sistema aeróbico possui a maior parte da responsabilidade pela produção energética, entre 70 a 75% da produção total de energia (HAGERMAN, 1984). Todavia, em uma competição oficial de remo com a distância de 2000 m e a duração entre 5 a 7 min, as rotas metabólicas anaeróbica lática e alática também são bastante requisitadas, na ordem de 25 a 30% da produção total de energia (HAGERMAN, 1984, HAGERMAN, 2000). Normalmente os remadores realizam um esforço vigoroso nos primeiros 30 a 45 segundos da prova, o que é necessário para iniciar o movimento e atingir uma velocidade de competição no barco e também nos 45 a 60 segundos finais da competição para o Sprint final (HAGERMAN, 2000). Tais características ficam bastante evidenciadas quando se verifica a produção de força nos diferentes momentos da regata. STEINACKER (1993) apresenta dados que mostram um pico de produção de força na ordem de 1000 a 1500 N nos momentos iniciais da competição e entre 500 a 700 N no decorrer da mesma. Sendo assim a biomecânica contribui para o desempenho dos atletas principalmente no que tange aos aspectos de produção de força, de modo que a cinética é uma área importante neste esporte.
Classicamente as seleções da Alemanha, UK, USA e Austrália são algumas das favoritas, mas outros países com menos tradição às vezes têm surpreendido.
Por meio de uma análise cinética dos remadores podemos verificar que a produção de força desenvolvida pelos remadores apresenta diferentes perfis, o que possibilitam a construção de um gráfico da aplicação de força no remo pelo tempo decorrido durante o movimento, o que chamamos de curva de força x tempo (HILL, 2002). Diferentes remadores apresentam diferentes formatos de curva de força x tempo, ademais, existem evidências de que estas diferenças estariam relacionadas com as características fisiológicas como o tipo de fibra muscular, atividade enzimática, entre outras (ROTH et al., 1993). Analisando as curvas de força x tempo dos remadores, podemos classificá-los em basicamente dois grupos: os remadores que apresentam o pico de força na primeira metade da curva de força x tempo e os remadores que apresentam o pico de força na segunda metade da curva de força x tempo. A literatura denomina os remadores com essas características de stroke e bow, respectivamente. A estratégia de produção de força será determinante no desempenho dos atletas e na diferenciação dos campeões. Esses aspectos podem apresentar uma boa aplicabilidade no controle de treinamento dos remadores e formação das tripulações no qual os treinadores podem, em função dos objetivos da competição e velocidade dos barcos, direcionar as estratégias de produção de força dos remadores, como por exemplo, perfil de produção de força bow para competições extensivas e/ou em barcos menores e mais lentos e stroke para competições intensivas e/ou em barcos maiores e mais velozes.

Prof. Dr. Rafael Baptista
Faculdade de Educação Física
Pontíficia Universidade Católica do Rio Grande do Sul
Grupo de Pesquisa em Fisiologia do Exercício e Biomecânica (FISIOMEC)
Laboratório de Avaliação e Pesquisa em Atividade Física


Referências

HAGERMAN, F. C. Applied physiology of rowing.  Sports Med. 1:303-326, 1984.

HAGERMAN, F. C. Physiology of competitive rowing. In: GARRET JR., W. E., KIRKENDALL, D. T., eds. Exercise and Sport Science. Philadelphia: Lippincott Williams & Wilkins. 843-873, 2000.

STEINACKER, J. M. Physiological Aspects of Training in Rowing. Int. J. Sports Med. 14:S3-S10, 1993.

HILL, H. Dynamics of coordination within elite rowing crews: evidence from force pattern analysis. J. Sports Sci. 20:101-117, 2002.

ROTH, W., SCHWANITZ, P. PAS, P. BAUER, P. Force time characteristics of the rowing stroke and corresponding physiological muscle adaptations. Int. J. Sports Med. 14:S32-S34, 1993.


terça-feira, 9 de agosto de 2016

BIOMECÂNICA NOS JOGOS OLÍMPICOS | POLO AQUÁTICO

Polo aquático é o único esporte coletivo que sempre esteve presente no programa dos Jogos Olímpicos, desde a primeira edição dos Jogos da era moderna, em 1896. Cada time deve possuir 13 jogadores, sendo sete titulares e, deste, um goleiro. O jogo é disputado ao longo de quatro quartos de 8 min de duração, em piscinas com, em média, 30 m de comprimento e 20 m de largura. Com exceção do goleiro, a bola só pode ser dominada, conduzida, passada e arremessada com apenas uma mão. Cada time possui 30 s para finalizar o ataque.
No feminino, Estados Unidos, Hungria e Austrália são os historicamente favoritos. Já no masculino, Croácia, Sérvia, Hungria, Espanha, Itália, Estados Unidos e Grécia são seleções de destaque. O Brasil, principalmente no masculino, pode surpreender, a partir da evolução obtida nos últimos anos.
Por ser realizado no meio aquático, em piscinas profundas, os jogadores executam técnicas específicas de propulsão e sustentação, tanto com membros inferiores (pernada em eggbeater) quanto de membros superiores (movimentos de palmateio). Esses movimentos possibilitam a elevação do jogador na água para executar passes, arremessos, recepções, bloqueios e defesas. Eggbeater e palmateios geram propulsão a partir de coeficientes de sustentação e arrasto relacionados a fatores como ângulos de ataque e de orientação, velocidade, aceleração, comprimento de corda e área propulsiva dos segmentos.
Jogadores normalmente apresentam grande área e massa corporal, que possibilita vantagens nas disputas individuais e potência para as elevações e arremessos. O melhor desempenho, na modalidade está relacionado a parâmetros individuais de potência, velocidade, agilidade e resistência. Deste modo, a potência de membros inferiores, com correta execução da técnica de eggbeater para as elevações do corpo na água, tem sido estimada pela altura atingida pelo atleta no salto vertical executado na água. Jogadores atingem alturas relativas a 70% da estatura. Velocidade e potência dos membros superiores, definidores da velocidade da bola no arremesso, tem sido avaliados pela velocidade da bola após arremesso, que chegam a atingir valores maiores que 80 km/h. Velocidade de nado é fundamental no início de cada quarto e na disputas individuais e tem sido avaliada em testes de natação. Agilidade, relacionada às bruscas mudanças de direção, devidos às trocas de bola e de posição, tem sido avaliadas em testes específicos que levam em consideração as situações inesperadas do jogo. Por fim, a resistência tem sido avaliada em testes de natação e eggbeater.
De modo complementar, como há natação e arremessos por sobre a cabeça, desequilíbrios musculares de ombro têm sido intensamente estudados em jogadores de polo aquático.
As questões biomecânicas relacionadas ao meio (arrasto e propulsão, principalmente), aliadas às características dinâmicas de um esporte coletivo, geram desafios à biomecânica como ferramenta de análise para identificar os aspectos que visam incrementar tanto o desempenho individual, quanto o desempenho coletivo na modalidade.

Prof. Dr. Flávio Antonio de Souza Castro
Grupo de Pesquisa em Esportes Aquáticos (GPEA)
Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)


AVANÇOS EM BIOMECÂNICA MUSCULAR

Os músculos são os motores das alavancas biológicas, responsáveis por frear, acelerar ou ainda estabilizar os segmentos corporais através da contração de suas fibras musculares e resultante produção de força. Entre os fatores que determinam a capacidade de produção de força de um músculo durante a contração, estão a velocidade e o (estado de) comprimento de suas fibras musculares. Essas relações, isoladamente, são propriedades mecânicas do músculo conhecidas respectivamente como relação força-velocidade e relação força-comprimento. Embora essas propriedades tenham sido amplamente investigadas em preparações isoladas in-vitro, pouco ainda se sabe sobre o papel e expressão dessas propriedades contráteis no movimento humano.
Em avaliações e intervenções focadas no sistema músculo-esquelético, é comum assumir que as relações torque-velocidade angular e torque-ângulo articular refletem diretamente o comportamento contrátil do músculo, oferecendo uma janela para verificação das relações força-comprimento e força-velocidade de suas fibras. No entanto, durante a contração in vivo, as fibras musculares excitadas pelo Sistema Nervoso interagem com outros elementos anatômicos que interferem nessa relação; entre eles, os tendões em série com o músculo. Essa interação com elementos elásticos em série, combinada ao complexo controle exercido pelo sistema nervoso durante contrações voluntárias, impacta na expressão das relações força-comprimento e força velocidade das fibras musculares durante o movimento humano. Através de técnicas de ultrasonografia é possível monitorar o fascículo muscular de determinados músculos durante a contração muscular e, em conjunto com a análise cinemática da articulação, discriminar as mudanças de comprimento da fibra/fascículo muscular daquelas da unidade músculo tendínea (UMT). Dessa forma, as curvas torque-velocidade angular e torque-ângulo podem ser relacionadas às propriedades mecânicas contráteis do músculo avaliado.
É nesse contexto que foram desenvolvidos os dois estudos que serão abordados aqui:
De Brito Fontana, H.; Roesler, H. e Herzog, W. In vivo vastus lateralis force–velocity relationship at the fascicle and muscle tendon unit level. 2014. Journal of Electromyography and Kinesiology. v.24, n.6.
De Brito Fontana, H. e Herzog, W. Vastus lateralis maximum force-generating potential occurs at optimal fascicle length regardless of activation level. 2016. European Journal of Applied Physiology.v.116, n. 6
O estudo publicado em 2014 investiga a relação força-velocidade do músculo vasto lateral nos níveis do fascículo e da UMT durante a extensão máxima "isocinética" de joelho. Foi avaliada a relação entre capacidade máxima de produção de força voluntária, velocidade angular de extensão de joelho e velocidade de encurtamento da UMT e dos fascículos do músculo vasto lateral.  A fim de melhor compreender como os diferentes níveis de força e o movimento articular afetam as velocidade de encurtamento dos fascículos (ou vice-versa), diferentes amplitudes do movimento foram analisadas. Verificamos que, nas diversas amplitudes avaliadas, os fascículos respondem de maneira significativamente diferente ao aumento da velocidade angular quando comparados à UMT e que assumir uma conexão direta entre as relações torque-velocidade articular e força-velocidade das fibras musculares pode acarretar em uma superestimação da velocidade de contração dos componentes contráteis do músculo ou ainda uma superestimação da capacidade de produção de força. Outros fatores além da taxa de encurtamento das fibras musculares parecem contribuir para a velocidade de encurtamento da UMT e produção de força durante contrações isocinéticas, otimizando a expressão da relação força-velocidade no movimento humano in-vivo. Além disso a contribuição dos componentes contráteis para o movimento articular parece depender da velocidade, bem como da porção da curva analisada. Por exemplo, a velocidade dos fascículos é no geral muito maior durante o movimento que precede o pico de produção de força durante a contração "isocinética" (força crescente) do que após a ocorrência do mesmo (força decrescente). Os resultados impactam na interpretação das curvas torque-velocidade angular obtidas nas avaliações isocinéticas e salientam a natureza crítica da interação entre os componentes contráteis e elásticos na produção de torque/velocidade articular durante contrações isocinéticas.
De maneira mais intuitiva do que o descrito acima para as relações força-velocidade, pode ser esperado que a interação dos elementos elásticos com a porção contrátil do músculo também impacte na expressão da relação força-comprimento em contrações máximas e submáximas in-vivo. Embora os movimentos realizados no dia-a-dia raramente envolvam contrações musculares máximas, nosso entendimento a respeito da relação entre a capacidade de geração de força e o comprimento muscular ainda é amplamente baseado em estudos utilizando máxima ativação. De que forma o comprimento ótimo de produção de força do fascículo se relaciona com o ângulo ótimo de produção de força durante contrações in-vivo? E ainda, como isso se dá em contrações submáximas? Essas questões foram investigadas no segundo estudo que citamos acima. Nesse estudo, as relações força-comprimento nos níveis do fascículo e da UMT/ângulo articular foram analisadas para contrações máximas e submáximas in-vivo. Os níveis submáximos de contração foram obtidos com base em 1) níveis submáximos de força, como já havia sido descrito na literatura, e 2) níveis submáximos de ativação. As Figuras 1 A e 1B mostram os resultados dessas análises. Embora a análise com base em níveis percentuais de força (Figura 1A) permita uma avaliação da complacência da UMT e a verificação de uma relação entre a força submáxima produzida e o respectivo comprimento dos fascículos em cada ângulo articular; é importante notar que as principais informações acerca da relação força-comprimento e do ângulo ótimo e comprimento de fascículo ótimo para produção de força, não são possíveis de serem extraídas. Essa abordagem com base em percentuais de força, a qual já foi utilizada na literatura, restringe o pico da capacidade de produção de força a um ângulo articular específico (e, portanto, a um comprimento de UMT) independentemente do nível de produção de forca da contração (note: 90%; 80%, 70%... do valor de força pico observado no ângulo ótimo para produção de força máxima será sempre maior que o mesmo nível percentual em outros ângulos articulares). Da mesma forma, o aumento do comprimento do fascículo para níveis submáximos de força ("x" no gráfico), por vezes interpretado na literatura como um aumento do comprimento ótimo de produção força, pode ser entendido como o resultado do encolhimento dos elementos elásticos em série conforme diminui-se os níveis de produção de força e não como deslocamento do "comprimento ótimo".
É por isso que é proposto no artigo uma segunda abordagem com base nos diferentes percentuais de ativação muscular. A nova abordagem, com base no controle da atividade eletromiográfica, oferece curvas força-comprimento submáximas mais representativas, uma vez que não condiciona o pico de produção de força a um ângulo articular fixo (Figura 1B). Enquanto que, para níveis submáximos de força (sem controle da atividade eletromiográfica), os picos das relações força-comprimento estão fixados a um ângulo articular (e, conseqüentemente, a um comprimento de UMT); para níveis submáximos de ativação, essa rigidez não existe e de fato o pico de força ocorre em comprimentos de fascículo semelhantes mas de UMT mais curtos (ângulos de joelho mais estendidos) quanto menor a ativação/força. Com base na razão entre a magnitude de força produzida e a atividade eletromiográfica necessária para tal, os resultados apontam, portanto, que o comprimento de fascículo ótimo para produção de força é constante para níveis máximos e submáximos de ativação, enquanto que o ângulo articular ótimo para produção de força aumenta para posições mais estendidas em contrações submáximas. O fato do comprimento de fascículo ser constante sugere que o músculo in-vivo obtém vantagem na condição ótima de sobreposição dos miofilamentos independentemente do nível de ativação. Ainda, o deslocamento dos ângulos ótimos de produção de força para posições mais estendidas parece refletir o papel funcional do músculo vasto lateral. O vasto-lateral é um músculo uniarticular da coxa freqüentemente envolvido em movimentos em cadeia cinética fechada nos quais pequena quantidade de força é necessária em comprimentos curtos de UMT e grande quantidade de força é necessária em comprimentos mais longos de UMT. Por exemplo, quando em posição ortostática com os joelhos em extensão e o vasto-lateral em seu menor comprimento possível de UMT, apenas forças de pequena magnitude são necessárias para a manutenção da posição. No entanto, quando flexiona-se os joelhos no sentido de um agachamento, como ao sentar-se em uma cadeira, a UMT torna-se mais longa e, a medida que o momento flexor de joelho causado pelo peso do sujeito aumenta, a força do músculo vasto-lateral também deve aumentar. Os resultados apontem que é possível que, ao combinar um aumento da produção de força com um aumento do comprimento da UMT e, uma diminuição de força com uma diminuição do comprimento da UMT, a excursão do fascículo seja minimizada a pequenas amplitudes próximas ao platô das curvas força-comprimento, colocando-o em uma condição ótima de produção de força.
Ambos os estudos abordados aqui salientam a importância dos componentes elásticos em série com o músculo na expressão das propriedades mecânicas contráteis no movimento humano in-vivo. A extrapolação de achados in-vitro para o nível articular e de contrações máximas para contrações submáximas pode levar a conclusões equivocadas a respeito do potencial de geração de força do músculo nos diferentes ângulos e velocidades articulares.
Ao ignorar a contribuição dos tendões em uma avaliação da relação torque-velocidade angular ou torque ângulo articular estamos ignorando também o potencial adaptativo dessas estruturas no processo de reabilitação e treinamento, assunto esse que deve também ser mais profundamente explorado em pesquisas aplicadas futuras.


Figura 1. Relações Força-comprimento do vasto-lateral baseadas em níveis submáximos de força (A - topo) e ativação (B – acima). Linhas coloridas identificam os diferentes percentuais de produção de força/ativação enquanto que as linhas tracejadas indicam os ângulos de joelho (180 ° extensão máxima). Note na Figura 1A, que, com a diminuição dos níveis de força, por definição, os picos de força ocorrem no mesmo comprimento de UMT (e portanto ângulo articular - 100 °, indicado pela linha tracejada em negrito) mas em comprimentos de fascículos mais longos (indicados por “x”). Na Figura 1B, note que, conforme decrescemos nos níveis submáximos de ativação, os picos de força (“x”) ocorrem em comprimentos de fascículo semelhantes porém em comprimentos maiores de UMT; ou seja, ângulos de joelho mais estendidos (de 100˚ de ângulo ótimo em contrações máximas para aproximadamente 135˚ em contrações com 10% da máxima ativação – linhas tracejadas em negrito).


Profa. Dra. Heiliane de Brito FontanaAparelho Locomotor, Anatomia - Biomecânica - Comportamento
Departamento de Ciências MorfológicasUniversidade Federal de Santa Catarina

sábado, 6 de agosto de 2016

BIOMECÂNICA NOS JOGOS OLÍMPICOS | NATAÇÃO

A natação é um dos esportes dos Jogos Olímpicos que atrai maior público e interesse. Desde 2008 é disputada tanto em piscina, quanto em águas abertas. As provas de piscina são individuais (50, 100, 200, 400 e 800 m nado livre – feminino - ou 1500 m nado livre – masculino-, 100 e 200 m nos nados costas, peito e borboleta, e 200 e 400 m 4 estilos ) e de revezamentos (4x100 m e 4x200 nado livre e 4 x 100 m 4 estilos). Já a prova de águas abertas é única, 10 km, para homens e mulheres.
A partir do ranking mundial de agosto de 2016, imediatamente antes do início dos Jogos, países e nomes que merecem atenção são: Austrália, com maior número de nadadores em primeiro no ranking (as irmãs Cate e Bronte Campbell, Cameron McVoy, Mitch Larkin, Belinda Hocking, Madeline Groves; Mack Horton); e Estados Unidos (Katie Ledecky, Michael Phelps, David Plummer, Lilly King; Josh Prenot). Individualmente, e em algumas provas de revezamento, Japão (Kosuke Hagino, Rie Kaneto); Hungria (Katinka Hosszu, Laszlo Cseh); Grã-Bretanha (Adam Peaty, James Guy); Alemanha (Marco Koch, Franziska Hentke); Itália (Gregorio Paltrinieri, Federica Pellegrini); Suécia (Sarah Sjostrom); Holanda (Ranomi Kromowidjojo); China (Zetao Ning, Sun Yang); França (Florent Manadou); Dinamarca (Mie Nilsen, Rikki Moeler-Pedersen) são países e nadadores que vêm em posições mundiais de destaque.
Nas águas abertas, França, Itália, Estados Unidos, Brasil (com Poliana Okymoto e Ana Marcela Cunha, principalmente), Alemanha, Holanda, Hungria são exemplos de países com tradição na distância olímpica.
Em relação às questões biomecânicas, o desempenho e o treinamento da natação estão fundamentados nas relações entre força propulsiva (Fp) e arrasto (A): um nadador busca incremento da propulsão final (Pf) por combinações entre aumento de Fp e redução de A. Para tal, as questões técnicas são fundamentais. De modo específico, posições e velocidade lineares e angulares dos segmentos corporais propulsivos e não propulsivos contribuem para correta aplicação da força (incremento dos coeficientes de sustentação e arrasto constituintes da Fp) e redução do arrasto (de pressão, de superfície e de onda). Características antropométricas, junto com velocidade de nado, são os principais determinantes do arrasto encontrado por um nadador.
Por exemplo, quando o nadador percorre os primeiros 15 m de cada piscina abaixo da superfície da água, este busca não gerar arrasto de onda (que não existe abaixo da superfície), não enfrenta o fluxo turbulento contrário a seu deslocamento, nem a tensão superficial. Por outro lado, análises da velocidade intracíclica de nado (flutuação da velocidade do centro de massa corporal a cada ciclo de braçadas), indicam que aqueles nadadores que conseguem manter a velocidade mais constante, apresentam, também, menor custo energético, o que passa a ser relevante para as provas mais longas (400, 800, 1500 m e 10 km). Características antropométricas, junto com velocidade de nado, são os principais determinantes do arrasto encontrado por um nadador, e, consequentemente, do custo energético.
Em relação à prova de águas abertas, cabe ressaltar que desde que entrou no programa olímpico, será pela primeira vez realizada no mar, cujas condições podem, simultaneamente, ajudar o rendimento, pelo maior empuxo gerado pela água salgada, mas criar condições adversas, devido às ondas e correntes. Em 2008 e em 2012, as provas de 10 km foram realizadas em condições mais controladas, em lago e raia artificialmente construída.

Prof. Dr. Flávio Antonio de Souza Castro
Grupo de Pesquisa em Esportes Aquáticos (GPEA)
Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)

segunda-feira, 6 de junho de 2016

COMPONENTES PASSIVOS MUSCULO-TENDÍNEOS EM TRIATLETAS

 Triatletas nadam, pedalam e correm em sequência. Contudo, a corrida do triatlo tem sido relacionada ao desempenho final em competicões. A segunda transicão (T2) envolve o término da etapa de ciclismo e o início da etapa de corrida. Porém, o desempenho na corrida subsequente ao ciclismo é reduzido quando comparado ao desempenho observado durante uma corrida isolada. Dentre os mecanismos sugeridos para esse quadro está o efeito do ciclismo sobre a biomecânica da corrida, com alguns autores sugerindo que a rigidez musculo-tendinea durante durante a corrida pode ser influenciada pelo ciclismo antecedente. É possível que triatletas tenham dificuldade para realizar a corrida após o ciclismo em funcão de possuírem elevado volume de ciclismo em relação a corrida, o que poderia resultar em menor adaptacão dos componentes musculo-tendineos a demanda imposta pela corrida. Contudo, até o momento parece não haver estudos na literatura investigando os efeitos do ciclismo e da corrida sobre a rigidez musculo-tendinea de triatletas, e estudos investigando a adaptacão de longo prazo de componentes musculo-tendineos a atividades de endurance foram realizados somente em corredores.
Esses estudos foram realizados com o objetivo de compreender os efeitos da corrida sobre o principal componente passivo do triceps sural, o tendão de Aquiles (TA), e possíveis diferencas nas características do TA entre indivíduos adaptados (e.g. corredores) e não adaptados. Esses estudos observaram que diferentes volumes de corrida não foram capazes de alterar a rigidez do TA e que corredores não apresentam diferencas significativas em seus TA em relacão a indivíduos não corredores. Curiosamente, quando a avaliacão de todos os componentes passivos dos flexores plantares foi realizada, diferencas foram observadas entre corredores e não corredores, sugerindo que essa pode ser uma alternativa mais abrangente para detectar adaptacões ao treinamento e até mesmo efeitos agudos do exercício. Com base nesses estudos, utilizamos avaliacões de torque passivo gerado pelo alongamento dos flexores plantares para investigar os efeitos da corrida e do ciclismo sobre os componentes passivos de triatletas. Ainda, investigamos possíveis diferencas entre triatletas e indivíduos não treinados. Avaliacões passivas de torque gerado pelos flexors plantares foram realizadas com o pé dos participantes fixados a plataforma de um dinamometro isocinético, que realizou o deslocamento do pé dos participantes a partir de 30 de flexão plantar até o máximo ângulo em dorsiflexao suportado, sem contracão por parte dos participantes (Figura 1). O torque gerado pelos componentes passivos durante o alongamento foi posteriormente utilizado para se estimar suas propriedades mecânicas tais como rigidez, energia mecânica armazenada e retornada.


Figura 1. Imagem ilustrativa do posicionamento dos participantes em relacão ao dinamômetro isocinético. Avaliacões de torque passivo foram realizadas de 30° de flexão plantar a máxima flexão dorsal.


Triatletas apresentaram reducão significativa da rigidez dos componentes passivos após testes máximos de ciclismo em comparacão a corrida e quando comparados a sujeitos destreinados. Ainda, observamos que triatletas possuem maior capacidade de armazenamento e dissipacão de energia em seus compomentes passivos. Esses resultados tem algumas implicacões para triatletas. O desempenho na corrida do triatlo é o estágio que define a colocacão final em competicões, e portanto uma reducão na rigidez musculo-tendinea poderia reduzir o desempenho durante a corrida como previamente sugerido. Ainda, considerando o maior volume de treinamento de ciclismo em relação a corrida de triatletas, é possível que as características de armazenamento e dissipação de energia sejam respostas a adaptacões primariamente induzidas pelo ciclismo. Considerando a possibilidade de monitoramento dessas características em triatletas por meio de dinamometria isocinética, a prevenção de lesões pode ser introduzida já que valores elevados de histerese (diference entre energia armazenada e dissipada) tem sido relacionados a incidência de lesão tendínea. É importante considerar que nossos resultados representam características de componentes passivos de todo o complexo musculo-tendíneo dos flexores plantares. Nesse sentido, futuros estudos devem incluir análises por meio de ultrassom/elastografia com o objetivo de complementar as avaliacões músculo-tendineas em atletas em diferentes porcões da undiade músculo-tendão.

Tiago C. Jacques, MSc
The Swedish School of Sport and Health Sciences
Grupo de Pesquisa em Biomecanica e Cinesiologia (GPBiC)
Grupo de Estudos e Pesquisa em ciclismo (GEPEC)


REFERÊNCIAS
Farris, D. J., G. Trewartha and M. P. Mcguigan (2011). "Could intra-tendinous hyperthermia during running explain chronic injury of the human Achilles tendon?" Journal of Biomechanics 44(5): 822.
Hug, F., K. Tucker, J. L. Gennisson, M. Tanter and A. Nordez (2015). "Elastography for Muscle Biomechanics: Toward the Estimation of Individual Muscle Force." Exercise and Sport Sciences Reviews 43(3): 125.
Kubo, K., D. Miyazaki, K. Yamada, H. Yata, S. Shimoju and N. Tsunoda (2015). "Passive and active muscle stiffness in plantar flexors of long distance runners." Journal of Biomechanics 48(10): 1937.
Maas, E., I. Jonkers, K. Peers and B. Vanwanseele (2014). "Achilles tendon adaptation and Achilles tendinopathy in running." OA Orthopaedics 1(3): 25.
Millet, G. P., G. Y. Millet, M. D. Hofmann and R. B. Candau (2000). "Alterations in running economy and mechanics after maximal cycling in triathletes: influence of performance level." International Journal of Sports Medicine 21(2): 127.

Vleck, V. E., A. Bürgi and D. J. Bentley (2006). "The consequences of swim, cycle, and run performance on overall result in elite olympic distance triathlon." International Journal of Sports Medicine 27(1): 43.