quarta-feira, 17 de agosto de 2016

BIOMECÂNICA NOS JOGOS OLÍMPICOS | CICLISMO DE ESTRADA

Os jogos olímpicos iniciarem com uma bela cerimônia de abertura e seguem encantando o mundo com recordes olímpicos decorrente do desempenho de atletas altamente preparados. Para o Brasil, é uma oportunidade única de poder assistir a uma modalidade esportiva com o qual o Brasil possui pouca afinidade. Por mais incrível que pareça, o ciclismo é um esporte no qual o Brasil possui limitada expressão, para ser generoso. Na América Latina, certamente a Colômbia é o maior berço de atletas de elite no ciclismo.
É comum pensarmos nas provas de estrada do ciclismo, em função de competições tradicionais como o Tour de France. No entanto, o ciclismo olímpico possui quatro modalidades: estrada, pista, mountain bike e BMX. As provas de estrada são as mais tradicionais, enquanto o mountain bike foi introduzido nos jogos de Atlanta (1996) e o BMX está debutando no Rio. Cada modalidade possui uma série de provas com características distintas. No caso das provas de estrada, a etapa de resistência envolveu um percurso de 254,6 km no qual os ciclistas largam juntos e aquele que chegasse primeiro ganharia a medalha de ouro. Já a prova de contrarrelógio envolveu um percurso de quase 60 km no qual cada atleta realizou a largada isoladamente e levou o ouro o ciclista que percorreu o percurso no menor tempo. Desta forma, na prova de contrarrelógio o ciclismo não pode se beneficiar da “carona” oferecida pela pedalada no “pelotão”.
Tive a feliz oportunidade de assistir in loco a largada e a chegada da prova de resistência do ciclismo de estrada (fotos abaixo).

Largada da prova de resistência do ciclismo de estrada
Chegada da prova de resistência do ciclismo de estrada



Esta prova, assim como a prova de resistência do ciclismo feminino ficaram marcadas pelas quedas (literalmente!) de líderes, como Vicenzo Níbali (para os homens) e da ciclista Annemiek van Vleuten. Muito foi comentado sobre a periculosidade do percurso, o qual envolvia descidas sinuosas realizadas em alta velocidade. Com isto, era esperado que alguns atletas pudessem ter dificuldades nesta parte do percurso. Ambas as provas contaram com muita emoção até o final, principalmente na prova feminina quando a ciclista Fernanda Oliveira obteve a melhor marca brasileira na história das olimpíadas com o 7° lugar a 40s da vencedora. Certamente o Brasil sai dos jogos com um resultado excelente para o ciclismo, visto o baixo investimento realizado neste esporte.
         
           Falando um pouco de ciência, o ciclismo é um esporte que envolve a ação coordenada cíclica de múltiplos músculos dos membros inferiores afim de gerar propulsão, e dos membros superiores e do tronco gerando a estabilidade necessária para que o ciclista consiga permanecer em uma posição fletida sobre a bicicleta por seis horas ou mais. A relação entre a produção de força e o elevado número de repetições (maior do que 90 por minuto na maior parte da prova) implica em uma combinação ótima das propriedades força-comprimento-velocidade dos músculos esqueléticos. Cada vez mais, a ciência vem contribuindo para se atingir melhores índices nestas provas. Esta aplicação dos conhecimentos da fisiologia muscular tem sido cada vez mais utilizada nos programas de treinamento com o intuito de ofertar estímulos efetivos para que os ciclistas possam melhorar o seu desempenho. Há ainda muitos aspectos do gesto mecânico do ciclismo que são passíveis de discussão na literatura e entre os técnicos e atletas de ciclismo. Esperamos que o resultado da Fernanda Oliveira auxilie no incentivo a este esporte altamente técnico e complexo no Brasil.

Dr. Rodrigo Bini
Escola de Educação Física do Exército
Membro do Grupo de Estudo e Pesquisa em Ciclismo