quarta-feira, 14 de setembro de 2016

BIOMECÂNICA NOS JOGOS PARALÍMPICOS | PARACICLISMO


Nestes dias ocorrem no Rio os Jogos Paralímpicos de 2016. Os Jogos Paralímpicos trazem para nós sentimentos mistos. Sentimentos de emoção e admiração por atletas que superam dificuldades as quais muitos de nós não imaginam ser possíveis de suportar, e sentimentos de indignação, como no caso de atletas que têm suas histórias de superação reveladas tendo como plano de fundo um acidente automobilístico, um atropelamento. Mas uma coisa que a vida nos ensina é que devemos valorizar a coisas boas, e as coisas ruins devem ser deixadas de lado. Devemos celebrar o que é bom. Um dos esportes mais emocionantes nos jogos paralímpicos é o ciclismo. Quanta força, quanta potência, e quanto controle de movimentos esses atletas mostram. Inicialmente apenas atletas com deficiência visual participavam do ciclismo paralímpico. Em 1984, atletas com paralisia cerebral e amputados foram incluídos e em 1988 o ciclismo paralímpico de estrada foi incluído no programa oficial, embora a classificação em categorias tenha sido estabelecida apenas em 1996. Provas no velódromo foram incluídas em 2000, assim como handcycling, ou ciclismo para cadeirantes. O ciclismo paralímpico exigiu algumas adaptações nas regras da UCI, com o uso de triciclos, bicicletas para duas pessoas e o uso das mãos para a propulsão da bicicleta. A produção científica no ciclismo paralímpico é insipiente. No medline, a busca por esses temas revela apenas 8 estudos, o que é ampliado se usarmos termos como handcycling e outros. Os estudos, até pouco tempo atrás, tinham um foco muito forte em desenvolver tecnologias que permitissem aos atletas a prática. Com o avanço tecnológico muito relacionado com esses estudos, hoje temos mais e mais grupos investigando aspectos de desempenho e treinamento desses atletas. Nestes jogos, o ciclismo paralímpico tem atletas com idade desde 18 até 58 anos. A maioria dos atletas é do sexo masculino, e a faixa etária com o maior número de atletas é a dos 30 aos 40 anos, seguido da faixa com atletas de 40 anos de idade ou mais. O Brasil está representado no paraciclismo de estrada por três atletas: Jady Malavazzi, Lauro Chaman e Soelito Gohr. Jady compete desde 2011 (tem 20 anos), e foi um acidente de carro que aos 12 anos mudou toda a sua vida fazendo com que elas perdesse os movimentos das pernas. Lauro Chaman, que tem uma deficiência na perna esquerda, produz cerca de 30% de força a menos naquela perna, o que não impede ele de competir em grandes provas e obter grandes resultados. Soelito sofreu um acidente enquanto treinava e ficou com limitações nos movimentos do braço esquerdo e por isso compete em uma bicicleta adaptada. Alguns destes também competirão nos eventos de pista (velódromo), onde temos outros representantes em outras categorias. Vamos ficar na torcida para que nossos atletas consigam atingir na Rio2016 os excelentes resultados que vêm alcançando nas competições nacionais e internacionais que participam!

Prof. Dr. Felipe Carpes
Professor Universidade Federal do Pampa
Presidente da Sociedade Brasileira de Biomecânica