segunda-feira, 2 de maio de 2016

Treinamento pode diminuir assimetrias de força de membros inferiores


Emmanuel Souza da Rocha
Representante Estudantil da Sociedade Brasileira de Biomecânica


       Quando se fala em treinamento de força já se sabe há muito tempo que o
Imagem meramente ilustrativa
aumento de força nas primeiras semanas de treinamento são atribuidas a adaptações neurais. O ganho de massa muscular (adaptação morfológica) contribui para o ganho de força muscular, mas apenas após algumas semanas de treinamento.
     Profissionais de educação física e fisioterapia utilizam diversos tipos de exercícios e estimulos para levar ao ganho de força muscular, entretanto independente do tipo de estímulo utilizado nas sessões de treinamento resistido, a condição inicial tem um papel importante na taxa de progresso. A magnitude de ganhos de força depois de um dado período de treinamento difere entre aqueles indivíduos que são treinados com os que não são treinados. Aparentemente sujeitos que não são treinados têm maiores taxas de ganhos de força. 
      Sabendo disso um músculo, então, destreinado (ou “não treinado”) tem mais ganho de força comparado a um músculo treinado, com isso podemos assumir que assimetrias entre a perna preferida e a não preferida podem levar a diferentes adaptações ao treinamento de resistência.  Uma vez que a perna preferida é definida como a preferida para realizar um ato motor, como por exemplo chutar uma bola.
        Um grupo de biomecanistas brasileiros (associados da Sociedade Brasileira de Biomecânica) publicou um recente trabalho no Journal of Strength and Conditioning Research onde eles avaliaram a massa muscular e a força de membros inferiores de 12 sujeitos saudáveis antes e após um programa de treinamento de resistência isocinética de extensores de joelho. Eles encontraram que deficts na força de extensão de joelho na perna não preferida são dependentes do tipo de contração muscular; que as assimetrias de força não são relacionadas a diferenças na massa do quadríceps; e que o treinamento isocinético em intesidade máxima para cada perna, resulta em forças simetricas de extensão de joelho em um período de 4 a 8 semanas de treinamento.
      Ao perguntar a um dos autores do artigo (Prof. Bruno Baroni da UFCSPA) sobre a motivação do estudo ele respondeu que: Diferenças na adaptação muscular ao treinamento entre os membros dominante e não-dominante são especuladas há várias décadas. No entanto, observamos que haviam poucos estudos que efetivamente investigaram esse desfecho, de modo que a maior "janela" para ganhos de força e massa muscular do membro não-dominante (comumente defendida por especialistas da área) ainda carecia de comprovação científica”.
     Ainda para o Prof. Baroni os achados “sugerem a existência de um maior potencial de ganhos de força para o músculo quadríceps não-dominante, o que parece ocorrer até que a força desse grupo muscular se equilibre à força do membro dominante. Porém, isso não parece estar relacionado a superiores ganhos de massa do quadríceps não-dominante”. Entretanto o professor chama a atenção de que “é importante destacar que esse comportamento foi observado para o treinamento realizado em condições isocinéticas, com exercício unilateral e intensidade máxima de cada um dos membros inferiores. Nessas condições, nossos resultados sugerem que desequilíbrios de força entre os membros inferiores de um indivíduo podem ser "corrigidos" com algumas semanas de treinamento.
       “Tendo em vista que o equilíbrio muscular entre os membros dominante e não-dominante é considerado um fator de protetor contra o desenvolvimento e recidiva de algumas lesões musculoesqueléticas, além de contribuir com o desempenho funcional e esportivo, esses achados tornam-se relevantes para pesquisadores e profissionais que atuam nas áreas de treinamento, prevenção e reabilitação física”, afirma o Prof. Bruno ao responder sobre a importância do trabalho para a área.


Referência:
Título do trabalho: Are the responses to resistance training different between the preferred and nonpreferred limbs?
Autores: Bruno Baroni, Rodrigo Franke, Rodrigo Rodrigues, Jeam Geremia, Helen Schimidt, Felipe Carpes e Marco A. Vaz
Ano de publicação: 2016
Revista: Journal of Strength and Conditioning Research
DOI:10.1519/JSC.0000000000001148



PS: esta matéria tem o objetivo de ser informativo e divulgativo e não substitui a leitura do artigo na íntegra.