sexta-feira, 12 de agosto de 2016

BIOMECÂNICA NOS JOGOS OLÍMPICOS | FUTEBOL, BIOMECÂNICA E LESÕES

O futebol é um dos primeiros esportes coletivos a estar inserido no programa Olímpico, fazendo a sua estreia em 1908 nas Olimpíadas de Londres. A partir de então o futebol como modalidade olímpica vem proporcionado grandes surpresas quando levamos em consideração o histórico de seleções medalhistas, principalmente porque nos Jogos Olímpicos existe uma idade limite no masculino (máximo de 23 anos, com exceção de três atletas) e isso faz com que seleções que não tem tanta representatividade na Copa do Mundo de Futebol, muitas vezes acabem conseguindo destaque nos Jogos. 
Nas Olimpíadas Rio 2016 podemos apontar quatros seleções que possuem certo favoritismo tanto no futebol masculino como no feminino. No masculino: Brasil (país-sede e que busca a primeira medalha olímpica de ouro), Portugal (atual vice-campeã sub-21 europeia), Alemanha (que possui um trabalho intenso nas categorias de base) e México (atual campeão olímpico). Já no futebol feminino: Brasil (país-sede e que busca a primeira medalha olímpica de ouro), Estados Unidos (sempre uma força no futebol feminino e tri campeã mundial), China (que vem investindo bastante no campeonato local e com isso tem mostrado uma evolução) e a Alemanha (duas vezes campeã mundial).
Quando pensamos na relação entre biomecânica e o futebol, rapidamente podemos pensar na contribuição que a biomecânica pode trazer na diminuição de índices de lesão. Normalmente são classificadas de acordo com o contato ou não com o adversário, sendo as lesões musculares (não contato) as mais comuns. Uma das estratégias (em conjunto com marcadores fisiológicos) a serem utilizadas pela Biomecânica para a prevenção e determinação de lesões musculares é a Termografia, capaz de identificar diferenças de temperaturas contralaterais, indicando se existem áreas com hiper ou hipotermia, auxiliando na identificação ou prevenção do problema.  Já lesões articulares, como por exemplo, a ruptura do ligamento cruzado anterior (LCA), lesão com tempo de afastamento alto, tem sido bastante investigadas e uma das estratégias de prevenção são as avaliações com sistemas de cinemetria e a identificação de, por exemplo, valgos dinâmicos um dos principais fatores de risco.
Outro ponto constantemente explorado são as avaliações de materiais utilizados (chuteiras principalmente) na prática esportiva. Aparentemente a configuração e formato de travas podem aumentar o risco de lesão, em especial em movimentos de rotação, por conta do aumento de atrito com o solo, causando entorses de joelho e tornozelo, e até mesmo a ruptura do LCA. Por meio da pressão plantar as  lesões podais também podem ser investigadas, como a fratura do quinto metatarso, uma das mais graves e de maior reincidência. Destacam-se as investigações que tem por objetivo identificar a influência de movimentos específicos em conjunto com a utilização de materiais específicos a fim de descrever a distribuição da pressão plantar e locais de risco de lesão.

Prof. Renato Azevedo
Programa de Pós-Graduação em Educação Física
Universidade Federal de Santa Maria
Grupo de Pesquisa em Neuromecânica Aplicada
Universidade Federal do Pampa