sábado, 13 de agosto de 2016

BIOMECÂNICA NOS JOGOS OLÍMPICOS | ESPORTES DE COMBATE


Na última segunda-feira o Brasil se encheu de lágrimas e orgulho com a vitória da judoca Rafaela Silva, primeira medalha de ouro brasileira nos Jogos do Rio 2016. O Brasil virou os olhos para o judô, descobrindo terminologias como ippon, wazari e yuko. O judô é a modalidade que trouxe o maior número de medalhas para o Brasil em Jogos Olímpicos! Mas, você sabia que além do judô existem outras quatro modalidades de esportes de combate olímpicas?

Os esportes de combate são representados nos Jogos Olímpicos pelas modalidades: luta olímpica, judô, boxe, taekwondo e esgrima. E a partir de 2020, em Tóquio, teremos a estréia do karate.

Conceitualmente podemos classificar os esportes de combate (EC) em percussão, domínio e misto. Os EC de percussão tem como principal objetivo o toque por ações como socos e / ou chutes, caso do boxe, taekwondo e karate; ou toque por implementos como, a esgrima. Nos EC de domínio, a principal ação é o agarre, com técnicas de projeção, imobilização e chaves, caso da luta olímpica e judô. Enquanto que os EC mistos utilizam técnicas de percussão e domínio, caso do mixed martial arts, que não é esporte olímpico.

Dentre as diversos fatores que podem afetar o rendimento esportivo, sem dúvida a compreensão da biomecânica é uma importante variável de estudo. Ao identificar o comportamento neuromuscular em técnicas específicas da modalidade, o atleta / técnico podem otimizar a melhor estratégia motora a ser utilizada. Uma melhor estratégia técnica e tática são diferenciais em situações competitivas.

Para EC de percussão, as variáveis de potência, velocidade e impacto são fundamentais para a aquisição de pontos na modalidade. A potência muscular se manifesta principalmente na aplicação de golpes. Algumas modalidades que tem por característica o semi contato otimizam a velocidade de golpes, enquanto que modalidades de contato necessitam de elevados valores de impacto.

Nos EC de domínio, sabemos que as principais variáveis associadas ao rendimento esportivo são potência e força, especialmente pela necessidade de técnicas de agarre. As técnicas de projeção requerem a combinação de força máxima e resistência de força para a manutenção da pegada e potência para o arranque. As técnicas de imobilização, chaves e estrangulamentos (técnicas utilizadas no judô) requerem elevadas demandas de força isométrica e dinâmica.

Dentro deste contexto, a biomecânica pode analisar o padrão de equilíbrio empregado ao executar as técnicas de percussão e domínio, para melhor estruturar a situação de luta; compreender a estruturação de estratégias motoras, como ocorre o recrutamento muscular, bem como a cinemática dos golpes empregados em situação de luta são indispensáveis para a organização da correção da técnica para garantir a efetividade do treinamento.

A prevenção de lesões pode ser estudada pela análise de diferentes técnicas de projeção em EC de domínio, bem como o impacto e velocidade de golpes em EC de percussão. Ou até mesmo a análise de impacto em diferentes tipos de tatames ou a efetividade na utilização de protetores.

Atualmente, muitos atletas utilizam cotidianamente a análise cinemática para correção técnica, com recursos simples como câmeras com filmagem de 60 ou 120 frames. No entanto, ainda precisamos de uma maior aproximação entre ciências do esporte e a prática cotidiana.

Oss!

Profa. MSc Keith Sato Urbinati
2 Dan Karate
Grupo de Estudos em Neuromecânica (GEN)
Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR)