quarta-feira, 10 de agosto de 2016

BIOMECÂNICA NOS JOGOS OLÍMPICOS | REMO


O remo é um esporte em que o sistema aeróbico possui a maior parte da responsabilidade pela produção energética, entre 70 a 75% da produção total de energia (HAGERMAN, 1984). Todavia, em uma competição oficial de remo com a distância de 2000 m e a duração entre 5 a 7 min, as rotas metabólicas anaeróbica lática e alática também são bastante requisitadas, na ordem de 25 a 30% da produção total de energia (HAGERMAN, 1984, HAGERMAN, 2000). Normalmente os remadores realizam um esforço vigoroso nos primeiros 30 a 45 segundos da prova, o que é necessário para iniciar o movimento e atingir uma velocidade de competição no barco e também nos 45 a 60 segundos finais da competição para o Sprint final (HAGERMAN, 2000). Tais características ficam bastante evidenciadas quando se verifica a produção de força nos diferentes momentos da regata. STEINACKER (1993) apresenta dados que mostram um pico de produção de força na ordem de 1000 a 1500 N nos momentos iniciais da competição e entre 500 a 700 N no decorrer da mesma. Sendo assim a biomecânica contribui para o desempenho dos atletas principalmente no que tange aos aspectos de produção de força, de modo que a cinética é uma área importante neste esporte.
Classicamente as seleções da Alemanha, UK, USA e Austrália são algumas das favoritas, mas outros países com menos tradição às vezes têm surpreendido.
Por meio de uma análise cinética dos remadores podemos verificar que a produção de força desenvolvida pelos remadores apresenta diferentes perfis, o que possibilitam a construção de um gráfico da aplicação de força no remo pelo tempo decorrido durante o movimento, o que chamamos de curva de força x tempo (HILL, 2002). Diferentes remadores apresentam diferentes formatos de curva de força x tempo, ademais, existem evidências de que estas diferenças estariam relacionadas com as características fisiológicas como o tipo de fibra muscular, atividade enzimática, entre outras (ROTH et al., 1993). Analisando as curvas de força x tempo dos remadores, podemos classificá-los em basicamente dois grupos: os remadores que apresentam o pico de força na primeira metade da curva de força x tempo e os remadores que apresentam o pico de força na segunda metade da curva de força x tempo. A literatura denomina os remadores com essas características de stroke e bow, respectivamente. A estratégia de produção de força será determinante no desempenho dos atletas e na diferenciação dos campeões. Esses aspectos podem apresentar uma boa aplicabilidade no controle de treinamento dos remadores e formação das tripulações no qual os treinadores podem, em função dos objetivos da competição e velocidade dos barcos, direcionar as estratégias de produção de força dos remadores, como por exemplo, perfil de produção de força bow para competições extensivas e/ou em barcos menores e mais lentos e stroke para competições intensivas e/ou em barcos maiores e mais velozes.

Prof. Dr. Rafael Baptista
Faculdade de Educação Física
Pontíficia Universidade Católica do Rio Grande do Sul
Grupo de Pesquisa em Fisiologia do Exercício e Biomecânica (FISIOMEC)
Laboratório de Avaliação e Pesquisa em Atividade Física


Referências

HAGERMAN, F. C. Applied physiology of rowing.  Sports Med. 1:303-326, 1984.

HAGERMAN, F. C. Physiology of competitive rowing. In: GARRET JR., W. E., KIRKENDALL, D. T., eds. Exercise and Sport Science. Philadelphia: Lippincott Williams & Wilkins. 843-873, 2000.

STEINACKER, J. M. Physiological Aspects of Training in Rowing. Int. J. Sports Med. 14:S3-S10, 1993.

HILL, H. Dynamics of coordination within elite rowing crews: evidence from force pattern analysis. J. Sports Sci. 20:101-117, 2002.

ROTH, W., SCHWANITZ, P. PAS, P. BAUER, P. Force time characteristics of the rowing stroke and corresponding physiological muscle adaptations. Int. J. Sports Med. 14:S32-S34, 1993.