domingo, 14 de agosto de 2016

BIOMECÂNICA NOS JOGOS OLÍMPICOS | ATLETISMO


O Atletismo é um esporte individual, considerado aquele em que melhor traduz os ideais olímpicos evidenciados por Barão de Coubertin: “citius, altius e fortius”, i.e., o mais rápido, o mais alto, o mais forte. Esta modalidade esteve presente desde a primeira edição dos jogos Olímpicos da era Moderna em Atenas, no ano 1896. A partir daí o Atletismo ganhou força e sua prática difundiu-se em todo o mundo nas décadas seguintes, sendo reforçada a partir de 1912, com a fundação da Federação Internacional de Atletismo (IAAF). As provas do Atletismo são dividas em três blocos principais: as corridas, os saltos e os lançamentos. Aparecem ainda a macha Atlética e as provas combinadas.
O Brasil certamente nunca foi uma potência do Atletismo mundial, mas já viveu anos melhores. São 14 medalhas para o país em todas as edições dos jogos, das quais quatro foram de ouro, três de prata e sete de bronze. Importante destacar a tradição do salto triplo brasileiro, com os saltadores como Ademar Ferreira da Silva (ouro e 1952 e 1958), Prudêncio (prata em 1968 e bronze em 1972) e João Carlos de Oliveira – João do Pulo – (bronze em 1976). Entre os corredores, destaca-se Joaquim Cruz, medalha de ouro nas olimpíadas de 1984 e prata em 1988. Além deste, Zequinha Barbosa nos 800 m e Robson Caetano medalharam em 1988. Este último, inclusive, é detentor do recorde brasileiro nos 100 m rasos (10s00) que perdura por 27 anos. Mais recentemente, tivemos as conquistas de medalhas de bronze e prata em 1996 e 2000, respectivamente, no revezamento 4 x 100m. A única e histórica conquista no Atletismo feminino foi o ouro de Maurem Magi no salto em distância, nas olimpíadas de Pequim, 2008.
Mas na Olimpíada do Rio 2016, haverá possibilidades de medalhas para Brasil no Atletismo? Pode-se dizer que sim, mas se resumem basicamente a duas atletas: Fabiana Murer, do salto com vara e Keila Costa, do salto em distância e triplo. Na equipe masculina, a maratona sempre revela algum destaque brasileiro, porém dificilmente haverá medalhas neste ano.
Já o cenário internacional é historicamente dominado pelos Estados Unidos, são mais de 700 medalhas na história. No entanto, a sensação mundial do momento é a equipe Jamaicana, com destaque é claro para os atletas da velocidade. Os jamaicanos vêm dominando tais provas nos naipes masculino e feminino. E a tradicional e glamorosa prova dos 100 m rasos, quem ficará com o ouro? Entre os homens, tem-se dois jamaicanos na disputa: obviamente, a lenda Usain Bolt e o jovem Yohan Blake. Porém, talvez o principal adversário para Bolt será o experiente americano Justin Gatlin, de 34 anos, que vem com sede de vitória. Bolt fará ainda mais história se vencer os 100 m rasos, será o primeiro a vencer três edições seguidas da prova. Porém, as últimas lesões preocupam o jamaicano, mas ninguém ousa duvidar da lenda das pistas. Nos 200 m rasos, outra especialidade de Bolt, o mesmo deverá confirmar a medalha de ouro.
Com o crescimento do olimpismo e a profissionalização no esporte nas últimas décadas, a preocupação com o desempenho dos atletas tornou-se uma necessidade entre treinadores. E como a Biomecânica contribuiu e contribui para melhorar o desempenho dos atletas? Umas das formas mais importantes é com a avaliação da técnica esportiva, principalmente em esportes individuais como o Atletismo, de caráter eminentemente técnico. Nos Jogos Olímpicos de 1968 Dick Fosbury venceu a prova do salto em altura ao projetar-se de costas, uma técnica inovadora para a época. Mais tarde, análises biomecânicas mostraram sua eficiência pelo fato do centro de gravidade passar por baixo do sarrafo no momento do salto. Atualmente, pequenos detalhes técnicos fazem a diferença entre o primeiro e último lugar em uma prova. Assim, análises cinemáticas permitem detalhar o gesto técnico do atleta, que não seria possível a olho nu. Tal análise possibilitará ao treinador intervenções para aperfeiçoar o gesto de modo a alcançar níveis mais elevados.
Tomando como exemplo as corridas, uma técnica consolidada resultará em um corredor mais rápido e mais eficiente. Dois parâmetros biomecânicos amplamente analisados são a amplitude e frequência das passadas, que são determinantes da velocidade de deslocamento. Um dos principais diferenciais de Usain Bolt é possuir grande amplitude de passada (em função do comprimento de seu membro inferior) e elevada frequência de passada (possibilitada pela sua elevada potência muscular). Análises da curva de velocidade, o que podemos considerar uma análise cinemática, evidenciam que o grande determinante de velocista Usain Bolt nos 100 m rasos é a menor desaceleração ao final da prova.
Desta forma, verifica-se que a Biomecânica é uma ferramenta indispensável para a avaliação da técnica no Atletismo, o que consequentemente implicará no desempenho. Certamente o conceito de avaliação biomecânica é algo bastante amplo. Com o avanço tecnológico verifica-se constantemente novas tecnologias que estão sendo utilizadas em Biomecânica do Esporte, colaborando para o progresso e modernização esportiva.   

Prof. Dr. Juliano Dal Pupo
Universidade Federal de Santa Catarina
Membro do Laboratório de Biomecânica